terça-feira, 6 de julho de 2010

Dez anos de vela acesa

Fonte, texto e imagem:
www.agendadaperiferia.org.br



O Samba da Vela completa uma década de existência exatamente no dia 17 de julho. Numa noite fria do inverno do ano 2000, último ano do milênio, um grupo de sambistas, reunidos para ouvir e cantar sambas tradicionais e, principalmente, suas próprias composições se reuniu numa mesa de bar. O negócio ficou bom. Resolveram dar um nome aquele encontro. Chamaram de Samba da Vela porque ele durararia o tempo em que a chama ficasse acesa. E assim surgiu esta, que é uma das mais importantes e influentes rodas de samba de comunidade de São Paulo. O Samba da Vela é o reduto do compositor e da compositora. Os sambistas reunidos em torno da vela, todas as segundas-feiras, na Casa de Cultura de Santo Amaro, promovem sessões de apresentação de composições. Dezenas de canções são interpretadas, revelando um grande número de talentosos compositores. O período de apresentação de novos sambas, dura semanas, até que uma seleção é feita e as letras publicadas em cadernos distribuídos aos freqüentadores. É algo muito rigoroso mas feito com leveza, esmero e alegria. Um processo de criação que tem na coletividade seu ponto de convergência. Algo realmente digno de destaque e exaltação. Nenhuma roda de samba é assim tão focada na composição, tão regular nos encontros. Pouquíssimas comunidades tem tantos anos de vida, tantas composições. O Samba da Vela foi a primeira comunidade a gravar um disco, hoje esgotado. Ela tem a Beth Carvalho como madrinha e Osvaldinho da Cuíca
como um mestre carinhoso. Este, inclusive fez uma linda homenagem aos sambistas de Santo Amaro com a música Novo Quilombo gravada em seu último disco e que foi registrada em vídeo. Do Samba da Vela fazem parte Magno e Maurílio, dois dos sambistas mais talentosos da nova geração e que integram o melhor grupo de Samba do Brasil: Quinteto em Branco e Preto, cujos demais três integrantes fazem parte da Roda de Samda Berço do Samba de São Mateus: Everson, Casca e Vitor Pessoa. Eles também costumam colar às segundas em Santo Amaro. Paquera e Chapinha, são os mais veteranos dentre os fundadores e dão o tom nos encontros semanais. Muitos outros fazem parte e abrilhantam as noites de segunda-feira em Santo Amaro. Uma roda assim, tão importante assim, não poderia deixar de comemorar seu décimo aniversário de uma forma imponente, apoteótica. Será certamente uma noite fria do inverno no Vale do Anhamgabaú em data a ser confirmada. Sob o Viaduto do Chá, milhares de pessoas estarão rendendo homenagens a esta roda de samba que é um patrimônio cultural da periferia paulistana, da Cidade de São Paulo e do Brasil. E todos ali presentes, como numa prece pedirão “que a divina luz continue iluminando todas as criações”. Que essa chama seja eterna. Enquanto existir o samba, ela estará sempre acesa.
Salve o Samba da Vela!
Salve o compositor e a compositora!

Nenhum comentário:

Postar um comentário