quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Missiva



Ontem (05/01/16) voltei pra São Paulo pra retomar a vida, apesar de seguir de férias até dia 16.
Muita correspondência me aguardava, cartão de natal de um centro odontológico que acabei nem fazendo o tratamento, mas pelo segundo ano me mandam cartão, agradeço. IPVA dos meus 2 carros, nessa hora e na hora do seguro penso: - Porque ter 2 carros.... mas um deles já é do meu filho, apesar dele só dirigir daqui 2 anos.
Tinha outras contas como TV A CABO, Cartão de crédito e Global Editora pra pagar (livros vendidos na Livraria Suburbano da Global)...
Pra pegar toda correspondência preciso ir nos meus 3 endereços, Itaim Paulista, Casa Verde e Bixiga.
Num dos endereços (do Itaim Paulista) chegou uma carta do Sidney de Jesus, não conheço o mano pessoalmente, ele se encontra privado da sua liberdade, preso na Penitenciária de Paraguaçu Paulista....
Antes recebia muitas cartas de vários presídios, meu endereço espalhou, eles me assistiam na TV Cultura, Programa Manos e Minas, acabou que mandava Zines e livros pra eles e chovia carta.... respondi por anos, todas... sempre mandando uma leitura junto da resposta, a resposta já era importante pra eles, mas um livro junto era a mais.... foram vários meus inclusive. Com o tempo e o aumento do trabalho... acabei não dando conta e com o tempo diminuiu a quantidade.... mas sempre chega alguma de vez em quando.... fazia até tempo que não vinha.
O Sidney me diz que é de Parelheiros, extremo sul de SP, tinha um grupo de RAP de 1994 à 2000, mas a partir de 2001 várias coisas aconteceram na vida dele e acabou no crime e preso.
Disse que me conheceu porque caiu na mão dele (na cadeia) o livro: Pelas Periferias do Brasil - Vol II e que foi importante pra ele. Falou mais um monte de coisa (essas cartas sempre são longas).... encerra dizendo, dê valor a vida, dê valor a liberdade, dê valor a sua família.
Claroooooooooo que vou responder, claro que vou mandar uns 2 livros... não, não apoio o crime, bandido.... nada disso. Não gostaria de ser roubado, nem na rua, nem em casa, nem num restaurante, nem em lugar nenhum.
Responder o cara, mandar um livro.... porque é um ser humano, periférico como eu... passei algumas coisas na minha vida e o crime estava muito perto de mim, graças a Deus e minha mãe, não cai.... mas poderia ser eu, sim, poderia.
Por fim, porque acho que todo mundo merece uma chance de mudar... não é utopia, nem iludido que "todo preso" vai sair bonzinho..... mas um mano, uma pessoa, é uma família. Uma Vida...
Me julgue..
***
Alessandro Buzo, escritor
www.agendabuzo.blogspot.com
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Um comentário:

  1. Trabalho diretamente com sentenciados, em todo contato, processos, cartas, familiares ou pessoalmente, sempre penso que poderia esta do lado de la, me vejo em cada réu, minha mãe em cada senhora revoltada, abatida ou depressiva, o sistema de ressocialização não funciona, muito importante entendermos que são nossos iguais, manos como você faz a diferença.

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